quinta-feira, 7 de junho de 2012

Bloco Democrático receia adiamento das eleições.


As eleições de 31 de Agosto em Angola poderão ser adiadas se José Eduardo dos Santos não conseguir impor Manuel Vicente como número dois na lista do MPLA.

A opinião é do presidente do Bloco Democrático, Justino Pinto de Andrade, e foi ouvida pelo correspondente da VOA em Benguela.

Justino Pinto de Andrade disse que a imposição de Manuel Vicente como segunda figura da lista do MPLA – e futuro substituto de Eduardo dos Santos - ainda não é consensual.

De visita a Benguela, Andrade disse que existem resistências internas no partido no poder, o que pode levar José Eduardo dos Santos a protelar a realização do próximo pleito eleitoral.

“ O MPLA teria algum interesse em protelar as eleições se por acaso tivesse dificuldades em impor a segunda figura da lista.”

A nomeação de Manuel Vicente para o cargo de ministro de Estado para a Coordenação Económica, é descrita na  imprensa como uma resposta a objectivos políticos de José Eduardo dos Santos.

Essa nomeação é apontada como sinal da preferência que dos Santos lhe confere, para futuramente o substituir na chefia do Estado e do MPLA, afastando a ala histórica da guerra da independência.

O cargo proporciona a Vicente condições políticas e notoriedade social para começar a afirmar-se como substituto do actual presidente.

Justino Pinto de Andrade, advertiu que, apesar dessa condicionante, Eduardo dos Santos pretende tornar o processo eleitoral irreversível uma vez que tem toda maquina montada para a fraude eleitoral.

“Conforme as coisas estão armadilhadas, eles têm interesse em fazer já, tudo está programado, antes que se desarmadilhe faz-se já” disse Pinto de Andrade acrescentando que “ao tornar-se o processo irreversível condiciona-se a acção dos outros actores, mesmo que a oposição tentasse remar contra mare já não seria possível.”

Justino Pinto de Andrade criticou a comunidade internacional pelo descaso que faz em relação as eleições em  Angola, afirmando  que isso resulta da “maldição do petróleo”

Forças angolanas iniciam retirada da Guiné-Bissau.


 Anótnio Indjai diz que angolanos planeavam atacar as forças armadas guineenses. CEDAO monitoriza retirada angolana

Cerca de 270 efectivos militares e policiais angolanos vão ser retirados até ao fim de semana por via aérea e marítima.

Engenheiros angolanos que se encontravam na Guiné-Bissau para ajudar na reconstrução de esquadras policiais e quartéis do exercito vão também ser retirados.

Aliás obras de reconstrução que estes haviam iniciado foram suspensas.

A MISSANG tinha sido enviada para a Guiné-Bissau para ajudar no processo de reforma das forças armadas guineenses.

O nosso correspondente em Bissau Lassana Cassamá diz que os angolanos estão também a retirar o material bélico que tinham trazido consigo, nomeadamente carros blindados, auto metralhadoras e camiões de transporte de logística.

A retirada angolana está a ser monitorizada por uma força da Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental, CEDAO, de cerca de 600 homens.

A presença angolana na Guiné Bissau foi um dos pretextos para o golpe de estado de Abril passado.

O chefe de estado maior das forças armadas guineense António  Indjai disse entretanto que o primeiro ministro deposto Carlos Gomes Júnior tinha – e citamos – “um acordo secreto com os angolanos para um ataque às forças armadas guineenses pelo que não poderíamos ficar de braços cruzados”.

Indjai acusou também os actuais líderes do PAIGC de não defenderem os interesses daqueles que combateram pela independência do país.

Fonte: VOA

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Bloco Democrático desafia Presidência da República a apresentar os dois ex – UGP desaparecidos


1. Nos dias 27 e 28 de Maio, na sequência de uma manifestação pública protagonizada por ex-militares – alguns dos quais efectivos afectos à Casa Militar da Presidência da República – foram sequestrados e dados como desaparecidos os jovens Alves Camulingi e Isaías Cassule, ex-militares da UGP – Unidade de Guarda Presidencial. O seu paradeiro é até agora desconhecido, correndo rumores de que terão sido “executados por ordens superiores”. A ser assim, estamos perante um facto que é extremamente grave, em flagrante violação à Constituição angolana e às demais leis em matéria penal.

2. O Bloco Democrático – BD – deplora todas as práticas que visem cercear os direitos dos cidadãos, e chama a atenção para o clima de intimidação que se está a instalar no seio da população, com perseguições, agressões e raptos daqueles que usam o direito democrático de manifestarem publicamente o seu desagrado pelas más políticas que são uma constante em Angola.

3. O Bloco Democrático – BD – exige das autoridades, e com a maior brevidade possível. o total esclarecimento sobre o paradeiro de Alves Camulingi e Isaías Cassule. Caso contrário, desencadeará acções públicas de repúdio e levará o caso às instâncias judiciais locais e internacionais. Desde logo o Bloco Democratico conclama a uma reunião urgente dos presidentes dos partidos da oposiçao para análise da tensão pré-eleitoral.

 4. O Bloco Democrático – BD – apela ao Presidente da República para que torne reais as suas declarações públicas feitas aquando da Reunião de Luanda da SADC, nas quais manifestou o desejo que as futuras eleições gerais em Angola decorram num ambiente de paz e liberdade.

 5. O Bloco Democrático – BD – chama mais uma vez a atenção da opinião pública nacional e internacional para o clima de intolerância que vem crescendo em Angola, em cujo palco já se assiste a movimentação de milícias preparadas para reprimir até a morte as vozes discordantes.

Continua incerta a localização dos Jovens raptados no dia 27 de Maio.


Até ao momento (4 de Junho), o gabinete presidencial não desmentiu a fuga  de informação posta a circular em Luanda,  segundo as quais partiu de si,  ordens  expressas para “executar”  o grupo de jovem que  lideram o “Movimento Revolucionário”, mais concretamente aqueles que pertenceram  a UGP – Unidade da Guarda Presidencial – e que, nos termos da Constituição, decidiram exercer o direito à manifestação pacífica no passado mês de Maio.

As    informações apontam  como “executados”   os cidadãos Alves Kamunlingui e Isaias Kassule, ex-militares da UGP,  que  foram raptados por “forças estranhas” nos dias 27 e 28 de Maio  respectivamente e  as famílias não sabem do seu paradeiro.   A Polícia  diz que  também não sabe  do paradeiros dos mesmos.



A  fuga da informação terá  partido de sectores da  UGP, em que o  denunciante  afirma   ter “provas” de que   receberam   ordens expressas,   para  “executar” os seus “companheiros”.


Solicitado a reagir o assunto, uma fonte que solicitou o anonimato, esclareceu que:  “A Constituição da República não só permite e protege o direito à greve, o direito de reunião e o direito à manifestação, como proíbe o atentado à vida e à integridade física, a justiça por mãos próprias e a pena de morte”.


De acordo com mesma fonte  “Se se provar que houve efectivamente crime de homicídio e que José Eduardo dos Santos é de facto o autor moral desses crimes, então os Deputados poderão iniciar o processo de destituição do Presidente para posterior criminalização, nos termos da lei.”


De lembrar que Alves Kamunlingui, segundo relataram companheiros, terá sido raptado  nas imediações do largo Sagrada Família, depois que foi dispersada do largo do BNA e imediações do Baleizão, na baixa de Luanda pelas forças policiais e para-militares a concentração de manifestantes.


O desaparecido ter-se-ia refugiado no hotel Skyna, de onde ainda foi capaz de falar aos outros por telefone. Enquanto permaneceu na unidade hoteleira, foi contactado  por telefone, e  descreveu  as circunstâncias do cerco a que se via sujeito.


Os antigos militares da UGP, unidade de guarda presidencial, que se declararam tomarem parte da pretendida manifestação no palácio presidencial, foram convocados para um encontro na quinta-feira (31) com os  responsáveis da Casa-Militar, supostamente  realizado no estádio 11 de Novembro.

Fonte:CLUB-K.NET

terça-feira, 5 de junho de 2012

Novo presidente da CNE chama-se André da Silva Neto



A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola tem um novo presidente que substitui a controversa Suzana Inglês, anunciou a agência Angop. A escolha recaiu sobre o juíz André da Silva Neto e foi feita pelo Conselho Superior de Magistratura (CSM).

Apesar de anunciada apenas na segunda-feira (4 de Junho), que decisão, segundo a Angop, "foi adoptada em sessão ordinária do plenário, realizada no dia 01 de Junho corrente, convocada para a apreciar as propostas do júri, constituído para o concurso público curricular para o provimento do referido cargo".

A substituição de Suzana Inglês, na chefia da CNE, foi imposta por uma decisão do Supremo Tribunal, em resposta a um recurso da UNITA e do Bloco Democrático que alegava a ilegalidade da nomeação por a presidente não ser magistrada judicial, quando a lei exoige que o seja.

O Tribunal deu-lhes razão e o que teve o efeito de anular a nomeação de Suzana Inglês. A rápida substituição deverá assegurar a continuidade dos preparativos para as eleições de 31 de Agosto.

André da Silva Neto foi o presidente do júri que, no CSM escolhera inicialmente Suzana Inglês, perante os protestos da oposição. Na altura, o líder da bancada parlamentar do MPLA, Virgílio Fontes Pereira, disse "algumas forças da oposição estavam determinadas a criar um clima de instabilidade e desconfiança em torno do processo eleitoral".

Para além de Silva Neto, concorreram ao cargo Agostinho António dos Santos, Joaquim Abreu João Cangato, Francisco Xavier Cruz, Neto Augusto, Avelino Yululu e Manuel dos Anjos Cortez Ordena.


Fonte: VOA

O MPLA plagiou a campanha da OMUNGA



Luanda - Para além da extinção da sua designação “Movimento Popular de Libertação de Angola” passando a ser unicamente “MPLA”, o partido no poder angolano tem ultimamente mostrado índices de perca de criatividade e tem jogado muito baixo principalmente na rede social Facebook.

 Em forma desesperada, recentemente um internauto do regime, conhecido por Man David, fabricou calúnias tentando difamar o líder da Unita, Isaías Samakuva, acusando-o de ter comprado três mansões no Reuno Unido nuns míseros valores de 7 Líbras, em nomes de suas filhas!


A mentira não viu o sol do dia quando o líder da Unita interviu no debate no Facebook e esclareceu a situação em uma nota explicativa, onde negou as acusações e principalmente os nomes fictícios das filhas que foram fabricados pelo indivíduo, Man David.


Para desconfirmar a calúnia e difamação de Man David, Isaías Samakuva revelou que, como candidato na Unita, irá divulgar a lista do seu património aos 20 de Junho de 2012.


Num acto mais recente que demostrou a falta de criatividade dos elementos do regime, um militante do MPLA, conhecido nas redes sociais como Yuri Guimarães, postou cartazes de uma auto-designada campanha, POR UMA ANGOLA EM PAZ (VOTE MPLA), um evidente plágio da campanha POR UMA ANGOLA LIVRE organizada pela Associação Omunga.


A plagiada campanha POR UMA ANGOLA EM PAZ (VOTE MPLA) de Yuri Guimarães escrupulosamente usou distorcidamente o logo da campanha da Associação OMUNGA para os seus feitos e usou frases supostamente citadas por três figuras angolanas bem conhecidas: o ex-Primeiro Ministro Marcolino Moco, o consagrado escritor Pepetela e o escritor José Eduardo Agualusa.


As frases nas cartazes postadas a circular na página do grupo MPLA no Facebook por Yuri Magalhães, demonstram as figuras públicas à apelarem os leitores à votarem para o MPLA.


Denunciando o plágio, o Director da Omunga, José Patrocínio, escreveu para o Ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa:


“Amigo Bornito de Sousa. É com tristeza que posto aqui esta informação. Tomando em conta que não tenho o contato de Pepetela, espero através de si, e dos amigos, que lhe façam chegar a informação. Não estamos, a OMUNGA, preocupados com as declarações ou opiniões sejam de quem for. Preocupa-nos é o fato de o logotipo de uma campanha idonea e responsável da OMUNGA, "POR UMA ANGOLA LIVRE" esteja a ser abusiva e criminalmente usada sem qualquer propósito nem autorização desta associação”.

 “Assim sendo, esperamos pelo pronunciamento público de Pepetela sobre este ato criminoso. A OMUNGA sente-se no direito de recorrer judicialmente por este crime na internet. A postagem está a circular na página do grupo MPLA através de Yuri Magalhães,” concluiu o líder da Omunga.


Para comprovar que ao contrário da campanha da Omunga, as fotos e as supostas frases das figuras públicas usadas nas cartazes, foram fabricadas e usadas sem nenhum consentimento dos mesmos, o escritor José Eduardo Agualusa desmentiu e desassociou-se a campanha POR UMA ANGOLA EM PAZ (VOTE MPLA).


“Meu caro, já tinha tomado conhecimento disto - é o tipo de disparate que prejudica mais quem o faz do que as próprias vítimas. Não me bato contra partidos, nem a favor de partidos. Luto pela democracia, pela paz, pela liberdade, por um desenvolvimento mais justo. Creio que a OMUNGA deveria processar judicialmente os autores desta falsificação. De resto, parabéns à OMUNGA pelo seu trabalho em favor da democracia e da justiça social,” escreveu José Eduardo Agualusa.


O indivíduoYuri Guimarães, embora ter postado as catarzes, negou ter sido o autor das mesmas dizendo que encontrou-as algures, gostou e partilhou.


“Quem é forte não precisa de fazer batota".... não fui eu que disse, tão pouco fui eu que aqui transcrevi... rsrsrsrsrs, o mesmo se passa com a pic ou baner publicado, vi algures, gostei, é verdade, e partilhei!!! Coisas do Facebook!!! rsrsrsrs, ou partilhar também é crime????? rsrsrsrs. Quem diz a verdade não merece castigo!!! O MPLA É ÚNICO PARTIDO QUE FAZ E FAZ MESMO. O MPLA CONQUISTOU A PAZ!!! VOTA MPLA!!! Aqui não tem desinformação nenhuma. Contra factos não há argumentos!” disse Yuri Guimarães.


Na página do grupo MPLA nota-se claramente que Yuri Guimarães não compartilhou as cartazes a partir doutra fonte mas sim postou-as pessoalmente.


Segundo as suas informações no Facebook, Yuri Guimarães nascido aos 26 de Fevereiro de 1977 e que reside em Luanda, estudou em London International College, e é fluente em Português, Inglês, Espanhol.


A campanha da Omunga, POR UMA ANGOLA LIVRE, contra a proibição, repressão e criminalização das manifestações, encontrada na pagina: https://www.facebook.com/PorUmaAngolaLivre, pretende dirigir uma petição ao Tribunal Supremo de forma a tomar uma decisão que sirva de jurisprudência no sentido de impedir mais criminalização das manifestações em Angola.


Por: – Pedrowski Teca.

domingo, 3 de junho de 2012

Familia de Alves Kamulingue continua sem saber do seu paradeiro


Continua o drama da família de Alves Kamulingue e dos outros desaparecidos que tentaram organizar uma manifestação, domingo passado, em Luanda Pretendiam chegar ao palácio presidencial, segundo anunciavam. Mas a marcha teve de ser abortada. Os organizadores foram levados para local incerto. Os familiares sabem tanto quanto nós.


Raptado pelas milícias do regime

O primo de Alves Kamulingue, raptado no domingo, lembra-se apenas das últimas palavras do parente, que ouviu através do telefone, talvez pouco antes de ser desligado.

"Ele reportou-me que estava num local muito apertado e que corria perigo", disse o familiar à Voz da América (VOA)


Dona Elisa Rodrigues é a esposa, mãe de dois filhos. Contou à nossa reportagem que “a primeira filha já é grande. Só temos lhe dito que o pai viajou. Mas sempre está com aquela mente triste."



Das autoridades policiais ouvimos quinta-feira um dos responsáveis duma esquadra no Cacuaco, onde residem os desaparecidos.


O Superintendente da polícia Clemente Pontes é um dos comandantes no Cazenga, onde desapareceu Isaías Cassule e um terceiro elemento cujo nome não conseguimos apurar. O responsável recomenda que os familiares levem o caso as unidades da corporação.


Interrogado sobre se tinha conhecimento da existência de grupos que à civil atormentam manifestantes, respondeu que não, e que a polícia não recebera a notificação de se se realizaria uma manifestação.


“Sabemos quando há dessas manifestações a polícia com antecedência é notificada, para proteger a manifestação”, declarou Pontes, sublinhando que desconhecia a manifestação de domingo. Até porque, acrescentou, "eu estava adoentado e comecei a trabalhar apenas na terça-feira".


Sérgio Kalundungo, observador da política em Angola, sublinha a contradição entre este episódio e o apelo, esta semana, do presidente da República para a criação dum bom ambiente para as eleições. E olha com preocupação o facto de, a três meses do pleito, cenas destas estarem a ocorrer.